Guia Prático

2º Semestre 2026: As 12 Datas Que Definem Sua Campanha

Julho a dezembro de 2026 concentra todas as decisões que determinam o resultado da eleição. Aqui está o que fazer — e o que jamais esquecer — em cada uma das 12 datas críticas do calendário eleitoral do segundo semestre.

As 12 datas críticas:

  1. 4 de Julho — Fim das nomeações e obras públicas
  2. 20 Jul a 5 Ago — Convenções partidárias
  3. 15 de Agosto — Registro de candidatura
  4. 16 de Agosto — Início da propaganda eleitoral
  5. 28 de Agosto — Horário eleitoral gratuito
  6. 14 de Setembro — Lacração dos sistemas
  7. 19 de Setembro — Imunidade de prisão para candidatos
  8. 29 Set a 6 Out — Imunidade para eleitores
  9. 4 de Outubro — 1º Turno
  10. 25 de Outubro — 2º Turno
  11. 3 de Dezembro — Justificativa 1º turno
  12. 18 de Dezembro — Diplomação

O segundo semestre do ano eleitoral tem 6 meses que valem por 6 anos na vida de um candidato. Entre julho e dezembro, cada semana tem um peso diferente — e há decisões que, se tomadas tarde, simplesmente não podem ser revertidas.

Este guia não é uma repetição do calendário oficial do TSE. É um manual de ação: o que cada data significa na prática para sua campanha.

1. 4 de Julho — Fim das Nomeações e Obras Públicas

🕐 3 meses antes do 1º turno

A partir desta data, agentes públicos de todas as esferas (federal, estadual e municipal) ficam proibidos de:

🔍 O que isso significa para sua campanha

Se você é candidato de situação (governador, prefeito que vai concorrer a outro cargo, ou seu partido está no poder), qualquer inauguração ou nomeação depois de 4 de julho pode ser impugnada como abuso de poder político. Encerre todas as contratações e eventos oficiais até o final de junho. Se você é oposição, está data marca o início do período em que o abuso de poder político pode ser flagrado e denunciado.

Checklist até 4 de julho

Finalizar todas as contratações previstas na administração
Concluir ou adiar inaugurações para depois da eleição
Revisar agenda de eventos oficiais dos próximos 3 meses
Treinar equipe sobre o que configura abuso de poder político

2. 20 de Julho a 5 de Agosto — Convenções Partidárias

🕐 Período de 17 dias

A convenção é o nascimento oficial da candidatura. É aqui que seu nome deixa de ser "pré-candidato" e passa a existir juridicamente como candidato. Partidos e federações se reúnem para deliberar sobre coligações, escolher os nomes que vão para a urna e definir as alianças.

🔍 O que isso significa para sua campanha

A convenção é um evento político, não apenas burocrático. É sua primeira grande oportunidade de gerar mídia espontânea, mobilizar sua base e mostrar força. Mas o que realmente importa acontece antes: negociação de alianças, definição do candidato a vice (para majoritários), e a montagem da chapa proporcional. Se você não tiver isso amarrado até 15 de julho, a convenção vira um campo de batalha em vez de um palanque.

Checklist para a convenção

Documentação pessoal pronta: certidões criminais (federal + estadual), comprovante de filiação, declaração de bens
Alianças e coligações fechadas (com documento escrito, não apenas "de boca")
Candidato a vice definido (para majoritários)
Estratégia de comunicação para o dia da convenção (fotos, vídeos, releases)
Local, data e estrutura da convenção confirmados
Número de urna definido conforme a legenda partidária

3. 15 de Agosto — Registro de Candidatura

🕐 Prazo fatal — sem prorrogação

Está é, sem exagero, a data mais importante do calendário. Se o pedido de registro de candidatura não for protocolado na Justiça Eleitoral até 15 de agosto, você simplesmente não concorre. Não importa o tamanho da sua campanha, quantos seguidores você tem ou quanto dinheiro arrecadou.

Na prática, o protocolo precisa acontecer até o fechamento do expediente do TRE/TSE no dia 15. E como sistemas podem cair, filas podem se formar e documentos podem ser questionados, a recomendação unânime de advogados eleitorais é: protocolize até 13 de agosto.

⚠️ Não deixe para o último dia

Se seu registro for protocolado em 15 de agosto às 17h55 e o sistema do TRE apresentar instabilidade, seu pedido pode ser considerado extemporâneo. A Justiça Eleitoral não aceita justificativa técnica para atraso. A regra é clara: 15 de agosto é o último dia. E o sistema fecha automaticamente.

Documentos para o registro

Certidão de quitação eleitoral (emitida pelo TSE)
Certidões criminais (Justiça Federal, Estadual e Tribunais Superiores)
Comprovante de filiação partidária (aprovada até 4 de abril)
Declaração de bens atualizada (mesmo modelo do Imposto de Renda)
Fotografia oficial (padrão TSE: fundo branco, urna eletrônica)
Ata da convenção partidária que homologou a candidatura
Comprovante de domicílio eleitoral na circunscrição (desde 4 de abril)
CNPJ de campanha (pode ser aberto após o registro)

4. 16 de Agosto — Início da Propaganda Eleitoral

🕐 1 dia após o registro

A campanha sai do papel e vai para a rua. A partir de 16 de agosto, está liberada a propaganda eleitoral em vias públicas, distribuição de material gráfico, carreatas, caminhadas, impulsionamento pago em redes sociais, sites de campanha e lives.

🔍 O que isso significa para sua campanha

O candidato que começa a propaganda em 16 de agosto com material gráfico já impresso, equipe de campo treinada e conteúdo de redes sociais programado sai na frente de quem vai correr atrás disso no meio de agosto. Imprima material na primeira semana de agosto. Treine a equipe de campo na segunda. E programe os primeiros 15 dias de conteúdo de redes sociais antes do dia 16.

Pronto até 16 de agosto?

Santinhos, panfletos e adesivos impressos e estocados
Calendário dos primeiros 30 dias de conteúdo digital pronto (texto + arte)
Equipe de campo treinada (abordagem, app, metas, LGPD)
Site de campanha no ar (domínio .br obrigatório para propaganda paga)
Contas de anúncio no Meta Ads e Google Ads configuradas (impulsionamento liberado)
CRM e ferramenta de campo operacionais — não espere agosto para descobrir que precisa

5. 28 de Agosto — Horário Eleitoral Gratuito

🕐 Começa ~12 dias após o início da propaganda

O horário eleitoral gratuito em rádio e TV começa em 28 de agosto e vai até 1º de outubro (1º turno). São dois blocos diários de 25 minutos no rádio e na TV, mais inserções de 30 segundos ao longo da programação.

O tempo de cada candidato é calculado pela representação do partido na Câmara dos Deputados. Federações partidárias somam os tempos de cada partido. Para um deputado federal, o horário eleitoral é relevante principalmente porque seus puxadores de voto (candidatos majoritários do mesmo partido) aparecem nele.

🔍 Estratégia de horário eleitoral

Candidatos a deputado raramente têm tempo próprio no horário eleitoral — você aparece nas inserções do partido e, principalmente, na boca dos candidatos majoritários. Alinhar o discurso com governador e senador da sua chapa é mais importante do que o tempo que você pessoalmente terá. O eleitor vota no deputado que ouviu o candidato a governador mencionar.

Checklist para o horário eleitoral

Gravações de TV e spots de rádio prontos até 20 de agosto
Roteiro dos programas alinhado com os candidatos majoritários da chapa
Produtora de vídeo contratada com antecedência (a demanda explode em agosto)
Material de apoio para inserções: fotos de campanha, depoimentos de eleitores, imagens do QG

6. 14 de Setembro — Lacração dos Sistemas Eleitorais

🕐 20 dias antes do 1º turno

A Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas no TSE é o ponto em que os sistemas que rodam nas urnas eletrônicas são congelados, assinados digitalmente e lacrados. A partir daqui, o software não pode mais ser alterado.

🔍 O que isso significa para sua campanha

14 de setembro é o marcador informal do início da "reta final". Faltam 20 dias para a eleição. Seu QG precisa estar 100% operacional. A logística do dia da eleição (transporte, fiscais de seção, comunicação) precisa estar definida. Não deixe nada crucial para depois desta data. O que não estiver pronto até aqui terá que ser improvisado — e improviso no dia da eleição pode custar votos.

Pronto até 14 de setembro

Fiscais de seção eleitoral recrutados e treinados para TODAS as seções da sua zona
Logística de transporte para eleitores mapeada (quem, onde, que horas)
Canal de comunicação rápida com a equipe de campo (grupo de WhatsApp + redundância)
Últimos vídeos de propaganda e depoimentos em produção final
Mapeamento de boca de urna: onde sua equipe pode e não pode ficar no dia

7. 19 de Setembro — Imunidade de Prisão para Candidatos

🕐 15 dias antes do 1º turno

A partir desta data, nenhum candidato pode ser preso, salvo em flagrante delito. Essa imunidade vale para todos os candidatos registrados — independentemente do cargo.

8. 29 de Setembro a 6 de Outubro — Imunidade para Eleitores

🕐 5 dias antes até 2 dias depois do 1º turno

Nenhum eleitor pode ser preso neste período, salvo: flagrante delito, sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou desrespeito a salvo-conduto (direito de ir e vir para votar).

9. 4 de Outubro — 1º Turno

🕐 Primeiro domingo de outubro

O dia D. Votação das 8h às 17h (horário de Brasília). Em municípios com fuso horário diferente, o horário local é adaptado para coincidir com o fechamento das urnas às 17h de Brasília.

🔍 Operação no dia da eleição

Sua campanha é julgada em 9 horas. Prepare três frentes: (1) Fiscalização: equipe em cada seção eleitoral para relatar problemas, acompanhar a votação e detectar irregularidades; (2) Transporte: motoristas mapeados com rotas otimizadas — é proibido transporte coletivo irregular, mas caronas individuais são permitidas; (3) QG de crise: uma pessoa designada para centralizar ocorrências, tomar decisões rápidas e acionar o jurídico se necessário.

🚫 Proibido no dia da eleição

10. 25 de Outubro — 2º Turno (se houver)

🕐 3 semanas depois do 1º turno

O 2º turno só acontece para presidente da República e governador (nos estados onde nenhum candidato atingiu 50% + 1 dos votos válidos no 1º turno). Candidatos a senador e deputado não participam — sua eleição é decidida no 1º turno.

Para candidatos a deputado e senador, o período entre o 1º e o 2º turno deve ser dedicado inteiramente à prestação de contas — o prazo para entregar a prestação final do 1º turno é curto, e qualquer atraso ou inconsistência pode resultar em rejeição.

🔍 Se você foi eleito no 1º turno

Comemore, mas não relaxe. A diplomação em 18 de dezembro depende de contas aprovadas. Comece a organizar sua prestação de contas imediatamente — contas rejeitadas podem cassar seu mandato antes mesmo da posse.

🔍 Se você não foi eleito

A prestação de contas continua obrigatória. Mesmo candidatos não eleitos precisam prestar contas. E o prazo é o mesmo. Não entregar a prestação gera consequências: multa, impossibilidade de obter certidão de quitação eleitoral e inelegibilidade para futuras eleições. Se você pretende concorrer em 2028, resolva suas contas de 2026.

11. 3 de Dezembro — Justificativa de Ausência (1º Turno)

🕐 60 dias após o 1º turno

Quem não votou no 1º turno tem até 3 de dezembro para justificar. A justificativa pode ser feita pelo aplicativo e-Título, nos cartórios eleitorais ou nos portais do TSE/TREs. Após está data, a ausência gera multa.

12. 18 de Dezembro — Diplomação

🕐 75 dias após o 1º turno

A diplomação é o ato final do processo eleitoral. A Justiça Eleitoral entrega o diploma aos candidatos eleitos, atestando que o processo foi concluído, as contas estão em ordem e o eleito está apto a tomar posse. Sem o diploma, não há posse.

⚠️ Diplomação não é automática

Você pode ter 100.000 votos e não ser diplomado se suas contas forem rejeitadas. A diplomação é condicionada à aprovação da prestação de contas. Candidatos com contas pendentes ou rejeitadas podem recorrer, mas o processo é longo e a posse fica ameaçada.

Cada prazo importa. Não dependa da memória.

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Última atualização: Julho/2026 · Fontes: TSE · Blog QG Eleitoral